Projeto
Vida de Negro
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Vista
parcial do quilombo Ipiranga/Viana(MA). |
Projeto resumido (versão 2006)
JUSTIFICATIVA
Contribuir para o desenvolvimento agrário no Maranhão
e no Brasil, e, criando base para uma intervenção jurídica
nas áreas quilombolas que se encontrarem com problemas fundiários,
visando a legalização de suas terras seculares e a implementação
de políticas públicas.
OBJETIVOS
Geral
Afirmar os Direitos Humanos em defesa das comunidades quilombolas como tema das políticas públicas, o que consiste em se ter um outro ponto de vista sobre questões que sempre acompanharam a humanidade no seu caminho pela melhoria da qualidade de vida e pela garantia dos direitos, que, além de universais, devem levar em consideração a variedade da espécie humana e sua diversidade.
REGIÕES
- REGIÃO COCAIS – Codó
- MÉDIO MEARIM: Bacabal; Pedreiras; Lima Campos e São
Luiz Gonzaga;
- MUNIM: Presidente Juscelino; Icatu; Morros e Axixá;
- GURUPI: Turiaçu; Cândido Mendes e Maracassumé
CARACTERIZAÇÃO DO
ACOMPANHAMENTO
Realização de oficinas de direitos, história do
negro e organização de associações no intuito
de sensibilizar para a participação nas articulações
estadual e nacional de quilombos, reforçando a luta pelos direitos
constitucionais relativos ao território que utilizam.
Processo de regularização fundiária
encaminhados ao Instituto de colonização e Reforma Agrária-INCRA/Ministério
do Desenvolvimento Agrário, Fundação Cultural Palmares,
Secretaria Especial de Políticas de Promoção da
Igualdade Racial-SEPPIR, e ao Instituto de Terras do Maranhão.
Articular e promover oficinas de capacitação e acompanhar
as ações desenvolvidas pelo poder público.
Histórico
e dados
O CCN-MA e as Comunidades Negras Rurais Quilombolas
ou Terras de Preto no Maranhão
Antes da implantação do Projeto Vida de
Negro, o CCN/MA já vinha desenvolvendo pesquisa sobre as então
chamadas terras de preto ou comunidades negras rurais desde 1980. Essas
pesquisas foram iniciadas pela militante/Ex-Presidenta do CCN-MA e pesquisadora
Sra. Mundinha Araújo, que elaborou em março de 1983 o
Projeto denominado "Comunidades Negras no Meio Rural Maranhense".
A atuação do projeto deu-se voluntariamente por parte
da pesquisadora.
Para a realização do I Encontro
de Comunidades Negras Rurais do Maranhão, ocorrido em agosto
de 1986, em São Luís (Sitio Pirapora/Bairro Santo Antonio)
com o tema: O Negro e a Constituição Brasileira, promovido
pelo CCN/MA, a articulação se deu com o envolvimento de
outros militantes da entidade o que garantiu até hoje essa linha
de ação do CCN, voltado para a questão agrária
no que diz respeito as chamadas terras de preto no Maranhão.
O referido encontro teve como seu principal objetivo
discutir propostas referente aos direitos do povo negro do Maranhão
e do Brasil, para serem encaminhadas na época aos Deputados Federais(1988)
e Estaduais(1989) Constituintes, a principal reivindicação
dos participantes do I Encontro de Comunidades Negras Rurais, foi a
questão da garantia das terras de preto aos seus moradores, pois
neste período várias comunidades negras do Maranhão,
estavam sendo expulsas dos seus territórios seculares. Desta
forma, o Centro de Cultura Negra-CCN/MA em conjunto com o Centro de
Estudos e Defesa do Negro do Pará-CEDENPA e com o apoio do Movimento
Negro do Rio de Janeiro, encaminharam a proposta sobre a garantia das
terras das comunidades negras rurais, à Deputada Federal Constituinte
na época (Dra. Benedita da Silva), a qual apresentou no Congresso
Nacional Constituinte. A proposta foi aprovada dando origem ao Artigo
68 ADCT da Constituição Federal em outubro de 1988 (que
garante às terras as comunidades remanescentes de quilombos).
O
movimento negro brasileiro teve uma vitória importante no momento
em que se articulou para assegurar na carta magna de 1988 a reivindicação
das comunidades negras rurais, que ficou no texto da Constituição
Federal o seguinte termo: Art. 68 do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias-ADCT, que garante "Aos remanescentes
das comunidades dos quilombos que estejam ocupado suas terras é
reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os
títulos respectivos".
O Movimento Negro do Maranhão, em especial o
CCN-MA, também teve uma vitória importante ao incluir
na Constituição Estadual do Maranhão (1989), o
Art. 229, que garante a titulação das terras às
Comunidades Remanescentes de Quilombos do Maranhão.
O estado brasileiro detém uma parcela significativa
da dívida para com às comunidades negras quilombolas.
Estes são portadores de bens materiais e imateriais, referentes
à identidade, à ação, à memória
dos grupos afro-brasileiros, constituinte do patrimônio cultural
brasileiro, sobre a proteção constitucional. Tais territórios,
também denominados terras de preto, estão distribuídos
pelo corredor do Vale do Itapecuru, no Baixo e no Médio Mearim,
no Baixo Pindaré, na região do Turi, do Munim, estendendo-se
até o Baixo Parnaíba e Baixadas Ocidental e Oriental Maranhense.
No Maranhão o processo colonial da pilhagem parece
se repetir após um curto período de estabilidade para
esses grupos. As transformações sociais ocorridas no campo,
a partir da introdução de grandes projetos agropecuários
e industriais (Margusa, Marflora etc.) e até mesmo projetos espaciais
da base de Alcântara/MA, têm se constituído em um
escandaloso desrespeito aos territórios étnicos.
A partir de 1980 os militantes do CCN se depararam com
os primeiros conflitos agrários nas terras de preto no Maranhão,
sendo:
| 1980 |
Mandacaru
dos Pretos (município de Caxias) e Piratiniga (município
de Bacabal). |
| 1983 |
Jacaraí
dos Pretos (município de Icatú) e Cajueiro (município
de Alcântara). |
| 1985 |
Santa
Rosa dos Pretos (município de Itapecuru-Mirim), Bom Jesus
dos Pretos (município de Lima Campos). |
| 1987 |
Matões
da Rita (município de Codó). |
Pesquisa
1988 e 1989: A pesquisa de campo do PVN levantou-se
a indicação da existência de 401 situações
categorizadas como comunidades negras rurais. A partir daí, foram
eleitas situações paradigmáticas visando a conseguir
a titulação de áreas que servissem como modelo
de demonstração da aplicação do artigo 68
do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
da Constituição Federal. Assim foram nos anos 90 articuladas
as ações relativas às situações dos
seguintes quilombos:
| 1991 |
Quilombo
Frechal (no município de Mirinzal). |
| 1992 |
Quilombo
Jamary dos Pretos (Turiaçu) |
| 1995 |
Quilombos
Santa Maria dos Pinheiros e Piqui (unicípio de Itapecuru-Mirim) |
| 1996 |
Quilombos
Santo Antônio dos Pretos (Codó) |
| 1997 |
Mocorongo
e Eira dos Coqueiros (município de Codó) |
| 1997 |
Quilombos
Genipapo e Cipó dos Cambraias (Caxias) |
| 1997 |
Quilombo
Olho d'Água (Olinda Nova) |
| 1997 |
Quilombo
Finca-Pés (município de Presidente Vargas) |
Além de uma série de outras ações
mais gerais que resultaram em ganhos significativos. No entanto, se
faz necessário a continuidade do investimento na articulação
das comunidades de quilombolas, tanto no Estado do Maranhão como
a nível nacional.
| 1ª
Etapa |
Mapeamento
das Comunidades Negras Rurais do Maranhão, nas regiões
de Itapecuru, Baixada Ocidental, Baixada Oriental (Munim), Gurupy,
Mearim e Baixo Panaíba, realizada no período de abril
de 1988 a dezembro de 1989; |
| 2ª
Etapa |
Estudo
de caso da Comunidade Negra Quilombola de Frechal/município
de Mirinzal-MA, nos termos do Art. 68 do Ato das Disposições
constitucionais Transitórias da Constituição
Federal de 88, realizado no período de março de 1990
a maio de 1994; |
| 3ª
Etapa |
Levantamento
histórico da região do Gurupy sobre a existência
de Quilombos dos séculos XVIII e XIX no Maranhão,
em documentos de cartórios, arquivos e bibliotecas públicas
dos Estados do Maranhão e Pará. E também um
estudo de caso da comunidade Jamary dos Pretos (Turiaçu-MA),
nos termos do Art. 68 do ADCT, realizada no período de setembro
de 1992 a novembro de 1997; |
| 4ª
Etapa |
Estudos
de casos das comunidades negras rurais quilombolas dos municípios
de Itapecuyru-Mirim/MA (06 áreas) e Codó/MA (03 áreas),
nos termos do Art. 68 do ADCT, iniciada em março de 1995
até outubro de 1999; |
| 5ª
Etapa |
Estudos
das comunidades negras rurais quilombolas (duas áreas no
município de Codó, 05 áreas no município
de Alcântara e 03 áreas no município de Viana/MA)
visando a titulação das mesmas, no termos do Art.
68 do ADCT, iniciada em março de 2000, sendo desenvolvido
até maio de 2004. |
15 anos do PVN
Durante os 15 anos de existência do PVN (1988 a 2003), o projeto
mapeou 443 Comunidades Negras Rurais Quilombolas no Maranhão,
identificadas 146 comunidades, tituladas 12 comunidades e 31 comunidades
com processo de desapropriação visando a titulação
das mesmas junto aos órgãos fundiários estadual
ou federal.
Com a realização dos Encontros Estaduais
de Quilombos, Seminários Municipais, Cursos e Oficinas para lideranças
quilombolas o PVN fortaleceu a Articulação e Mobilização
Política Organizacional das Comunidades Negras Rurais Qulombolas
(a nível Estadual e Nacional), estas ações teu
a origem a criação em novembro de 1997 da Associação
das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Maranhão-ACONERUQ,
em substituição a Coordenação Estadual Provisória
dos Quilombos Maranhenses (novembro de 1994).
Também com a realização do I
e II Encontro Nacional de Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Brasil,
foi criado em novembro de 2000 a Coordenação Nacional
de Articulação de Quilombos-CONAQ, a Secretaria de Informações
da CONAQ funcionou com a estrutura institucional do Centro de Cultura
Negra do Maranhão e da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos,
através do Projeto Vida de Negro, durante o período de
junho de 1997 a janeiro de 2001.
As publicações
do PVN foram iniciadas em novembro de 1996 através da coleção
intitulada "Negro Cosme" (livros, cartilhas, cordéis
e textos para revistas e jornais a nível estadual, nacional e
internacional), propiciando a um público mais amplo o conhecimento
da documentação referente a cada situação.
São publicados os relatórios técnicos,
petições, documentos históricos, levantamentos
de campo e outros documentos relativos a cada uma dessas situações
em que se atua, além de introduções a cada volume
dos livros, produzidos pela Equipe do PVN juntamente com o consultor
do projeto, o antropólogo Dr.Alfredo Wagner Berno de Almeida.
Estas publicações
têm se transformado em referência na discussão sobre
a temática "terrras de quilombos" em vários
estados da federação (ex. da Bahia, Pernambuco, Piauí,
Sergipe, Paraíba, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás,
Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pará e Brasília/DF).

Publicações realizadas pelo CCN/SMDH/PVN
LIVROS ::
- Frechal - Terra de Preto: quilombo reconhecido como
reserva extrativista (1996).
> Ler resenha
- Jamary dos Pretos - terra de mocambeiro (1998). >
Ler resenha
- Terras de Preto no Maranhão: quebrando o mito
do isolamento (2002). >
Ler resenha

CARTILHAS ::
- 10 Anos de Luta do Projeto Vida de Negro pela Regulamentação
das Terras de Preto no Maranhão (1998).
- Zumbi Vai à Escola (1ª edição
- 1999).
- Negro Cosme e a Guerra da Balaiada (2000).
- História do Brasil: são outros quinhentos
(2000).
- Akomabu: Afro Tupy (2000).
- Zumbi Vai à Escola (2ª edição
- 2001).
- Akomabu: religiosidade de origem africana no Maranhão
(2002).
- Akomabu/Abanjá: mergulho da cultura afro-maranhense
(2003).

CORDÉIS ::
- A Gerra da Balaiada no Maranhão (1ª edição
- 1992).
- O Herói Zumbi dos Palmares (1995).
- A Balaiada no Maranhão (2ª edição
- 2000).
- A Resistência do Quilombo Frechal (2002).
- Viva à Liberdade: a insurreição
negra de Viana (2002).
>
Donwloads disponíveis

RELATÓRIOS ::
- I Encontro Nacional de Comunidades Negras Rurais Quilombolas
do Brasil (1996).
- I Seminário Nacional sobre Procedimentos Administrativos de
Titulação de Terras
de Quilombos no Brasil (1999).
- VI Encontro de Comunidades Negras Rurais: Quilombos
e Terras de Preto no Maranhão (2003).
- II Encontro Nacional de Comunidades Negras Rurais
Quilombolas do Brasil (2003).

JORNAIS ::
- 7ª Edição Informativo Zumbido
(1999).
- 8 ª Edição Informativo Zumbido
(2000).
- 9ª Edição Informativa Zumbido
(2002).

A luta das comunidades negras quilombolas no Maranhão
e no Brasil, reside na conquista da regularização de seus
territórios, como o primeiro passo para a conquista da cidadania.
Mas a conquista dessa cidadania não é apenas a terra.
É a terra e o reconhecimento de seus direitos, enquanto grupo
étnico com especificidades no contexto da realização
da Reforma Agrária a população negra da zona rural.
AXÉ POVO NEGRO! A LUTA CONTINUA...
Fonte de Pesquisa: Arquivo do Projeto Vida de Negro/SMDH/CCN
e Biblioteca "Maria Firmina" do CCN-MA - São Luís/Maranhão/Brasil,
maio de 2003.
Texto: Ivan R. Costa, Raimundo Maurício M. Paixão
e Ana Amélia C. Máfra.
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