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Bloco afro Akomabu

O Brasil é o segundo maior país em população negra no mundo, depois da Nigéria. O Maranhão constitui-se no segundo Estado brasileiro de maior população negra, onde no período imperial apresentava um percentual de 55% da população escrava que se concentravam nas fazendas de algodão, arroz e cana-de-açúcar, sendo os pontos do Brasil onde mais desembarcou, oficialmente ou não, escravos africanos, principalmente a partir de 1682, quando se organizou a primeira Companhia do Comércio do Maranhão.

Para cá foram trazidos negros das mais diversas nações como: Mandinga, Benguela, Mina, Cambinda, Angola, Congo, Nagô, é difícil precisar a quantidade desse ou daquele grupo, ou mesmo o total de negros que entraram na região.

...Negro Mina, negro Congo
De Benguela e de Jaula
São Mandigas, são Fulupas
São negros Iorubas...

Queremos nesse carnaval e 20 anos de AKOMABU, não falar de escravidão, sofrimento, senzala, pelourinho. Queremos falar da beleza e riqueza da cultura desses povos, que nos engrandeceram com todo o conhecimento das artes, da matemática, medicina, engenharia, arquitetura, agronomia.

...África mãe que nos conceba
Toda essa força pra lutar
A mão de ferro dos Malês
O enigma do Egito
E a magia dos Mandingas...

Queremos falar da resistência e sabedoria da religiosidade, do conhecimento das ervas, do respeito à natureza.

Do sentido da partilha e do respeito por tudo que prescinde a ancestralidade por que é isso que dá sentido a vida.

A ancestralidade africana trazida por esses povos tem como marco de sabedoria, a oralidade, a transmissão do conhecimento africano, onde acima de tudo o ser humano é mestre e aprendiz, onde as relações do ser vivo, está na terra, no ar, na mata, no mar.

...O Atlântico não me fez esquecer
Toda história berço dos meus ancestrais...

Assim é o AKOMABU, toda força e garra de um povo que jamais se curva diante das adversidades. Beleza e ginga de um povo que grita e briga pelo direito de uma vida digna, respeito e garantia de moradia, educação, trabalho, saúde.

AKOMABU é o grito solto e estridente de um povo que acima de tudo tem orgulho de ser negro.

Um pouco sobre a história do CCN Maranhão

O Bloco Afro Akomabu surgiu em 1984. A palavra Akomabu significa “A cultura não deve morrer”. O bloco é antes de tudo um trabalho político cultural que o CCN, objetivando a preservação e divulgação da cultura negra, vem desenvolvendo com seus integrantes e pessoas da comunidade. O Akomabu resgata e leva para as ruas de São Luís, durante o carnaval o som dos atabaques, agogôs e cabaças, com grande influência em seu ritmo dos toques dos terreiros de mina do Maranhão. O Akomabu não é um bloco no modelo convencional, assim, não disputa premio nenhum, pois tem o objetivo de levar uma mensagem de valorização da auto-estima dos afros descendentes e tem se tornado uma expressão cultural da população negra maranhense.

O Akomabu saiu pela primeira vez em março de 1984 com 35 participantes, cantando músicas dos terreiros de tambor de Mina do Maranhão (em dialeto Jeje-nagô) e algumas músicas e algumas músicas do Bloco Afro Ilê Aiyê, da Bahia.

Em 1985 houve a primeira escolha de tema para o bloco, sendo que nesse ano as músicas do Akomabu foram feitas sobre o tema geral intitulado “AKOMABU VEM PROTESTAR 120 ANOS DA FALSA ABOLIÇÃO ”. Nos anos seguintes o bloco trabalhou com os seguintes temas:

Cantores e intérpretes do Akomabu

  • Carlos Benedito Rodrigues da Costa (Carlão Rastafari)
  • Paulo Henrique Nascimento Aguiar (Paulinho Akomabu)
  • Gisele Padilha Costa
  • José Ribamar Alves (Careca do Akomabu)
  • Antonio Tadeu Tavares (Tadeu de Obatalá)
  • Walquerlene
  • Robson

Letras das músicas

Música: Mãe Negra / 20 Anos do Akomabu
Compositor: Tadeu de Obatalá
Intérprete: Tadeu de Obatalá

20 anos do Akomabu vou festejar
De Mãe África ao Maranhão
A ê surua (Bis)
Mãe Negra Preto Velho vem dançar
No meu afro Akomabu no batuque
Nagô, Jêje e Mina (Bis)
Do Golfo da Guiné mandinga de fé
Meu patuá
Arroz no tabuleiro tem água de cheiro
No aguildar (Bis)
O atlântico não me fez esquecer
Toda história berço dos meus ancestrais
“Quilombo novo hoje é o nosso ideal”
Querebetam é meu acervo cultural
Aê ê ê a abram alas e caminhos
Pro Akomabu passar
Aê ê ê a “Zumbi, Negro Cosme, Nzinga minha força pra lutar” (Bis).
(Ê Mãe Negra)

Música: Pai Quilombo avisou
Compositor: Tadeu de Obatalá
Intérprete: Gisele Padilha

Corre beirada / a noticia aqui chegou
Que vai Ter kizomba no Akomabu
E foi Pai Quilombo quem avisou,
avisou, avisou (Bis)
Que vai Ter umbigada de tambor
avisou, avisou
No toque da cabaça e agôgô
avisou, avisou
20 anos do Akomabu chegou
avisou, avisou
Erês vodum já abençoou
avisou, avisou
Caboclo e gentio também girou
avisou, avisou
Vai Ter balé negro Abanjá
avisou, avisou
C C N é quem vai organizar
Arrepia, arrepia, arrepia bateria
Vai Ter kizomba pai quilombo mandou avisar (Bis)
“Nossa sede é resistência / liberdade principia
Bloco afro Akomabu tem mistérios e magia“
Ô Ô Ô Ô.
Giraram


Música: Rasteira não é ginga
Compositor: Paulinho Akomabu
Intérprete: Paulinho Akomabu

Chega de tanto passar talco
De entregar o palco pro poder
Dessa história de submissão
História de enganação
Já chega.

África Mãe que nos conceba
Toda essa força pra lutar
A mão de ferro dos malês
O enigma do Egito
E a magia dos mandingas.

Terreiro é quilombo
Rasteira não é ginga
Bambeia leva tombo
No toque da curimba

Palafita e senzala isso tem que acabar
Negro Cosme e herói da história brasileira
Todo esse povo negro também quer poder
Bloco Akomabu que levanta a bandeira.


Música: Nação Miscigenada
Compositor: Carlos D´Oxala
Intérprete: Careca do Akomabu

Povo negro canta e dança
No gingado do afoxé
Yaô vira pro santo (Bis)
No toque do Candomblé

Negro Mina, Negro Congo
De benguela e de jaulá
São mandingas, são fulupas (Bis)
São negros iorubás.

Oxossi reina nas matas
Caçador que veio de ifé
Oxossi fez sua morada (Bis)
No quilombo dos Barés

Olorum me fez guerreiro
Sobre o cruzeiro do sul
Sou nação miscigenada (Bis)
Sou guerreiro AKOMABU.

Música: Paulinho é Akomabu

Compositor: Diego Negão & Augusto Nassa

Limpa o terreiro
Que meu bloco vai passar (Bis)
Vai pra avenida para lhe homenagear.

Tu és o encanto que canta
Em lamento alivia a dor (Bis)
Dessa gente sofrida da lida da vida
Que não se entregou.

Nos faz remexer
Levantando o astral (Bis)
Mostrando pro seu povo que o quilombo
Novo ainda não é real.

Paulinho é Akomabu
Pelas terras de preto
Mostrando que o negro não se libertou
Paulinho é Akomabu (Bis)
Um grande erê que são Benedito
Nos presenteou.

Música: Somos da África
Compositor: Augusto Nassa & Diego Negão.

Eu sou Cambinda, tu és Mandinga
Ele é Angola ou São Tomé
Esse povo trazido da África
Na bagagem muita luta, cultura e axé.

Traz o aguidal bota o cuxá
Dendê no vatapá (Bis)
Flor, água de cheiro oferenda aos orixás
Pra Olorum nos guiar.

Ao som dos batas-cotos
Danço congo, candomblé e danço mina

Com a guia no pescoço vou pedir para (Bis)
Os caboclos e voduns axé

Somos Nagô, somos Jejê
Fanti-Ashanti, bantu
Há 20 anos, somos nos o AKOMABU.

Música: Coração Afro Americano
Compositor: Escrete
Intérprete: Escrete

Brasil, Brasil, África
Coração americano
Cheio de África
É Gege Nagô, é reino de Yorubá
É Kromante Ashanti
É Luanda no seu brilho de luar

Sou Mandinga Cambinda
Sou do reino de Oió
Tempero africano capoeira
Sou melhor.


Alguns integrantes da bateria do Akomabu

Mestre da bateria: Eliézer

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