Grupo de dança afro Abanjá - uma
história de luta e resistência
O
Grupo de Dança Afro Abanjá nasceu em 1985 a partir do
desejo de algumas pessoas que já faziam parte do Bloco AKOMABU
de fortalecer a luta do movimento negro pela valorização
e preservação da cultura, através da dança
afro.
Seu parto, aconteceu no dia 16 de abril de 1985, após
uma oficina de dança ministrada pelo professor Edson Katendê,
nascido na Bahia e militante na época do Centro de Estudos e
Defesa do Negro do Pará-CEDENPA.
O nome ABANJÁ na língua Yorubá
significa: "Na luta agora já!". E tem sido com o espírito
de luta sempre que tem desenvolvido todo um trabalho no sentido de fortalecer
o respeito a nossa cultura para construção da auto-esti-ma
da população negra de nosso estado. Assim, o grupo desenvolve
oficinas, seminários, debates e diversas apresentações
artísticas com o objetivo de levar cada vez mais longe a missão
do Centro de Cultura Negra do Maranhão.
Sua primeira apresentação aconteceu na
Rua Paulo Frontim, no bairro do Monte Castelo, na tenda de Umbanda Luz
e Vida de D. Mariazinha, onde recebeu as primeiras benças dos
Orixás, Voduns e santos que guiam o grupo, tendo como padrinhos
a saudosa Silvia Cantanhede e o professor Edson Katendê.
A dança afro sempre foi a expressão mais
forte no grupo, embora trabalhe também com a dança popular,
principalmente aquelas que têm a cultura negra como marca de expressão.
E assim o grupo montou o espetáculo Bumba Crioulo, que fez sua
primeira apresentação em Belém do Pará,
em julho de 1987 na realização do VII Encontro de Negros
do N/NE, organizado pelo CEDENPA e CCN-MA, resgatando através
da dança, teatro e música as manifestações
culturais maranhense que tem raiz africana, como Tambor de Crioula,
a Dança do Coco, a Dança do Divino, o Bumba -Meu -Boi,
o Tambor de Mina, a Dança do Cacuriá.
Os espetáculos de dança criados pelo grupo
utilizam ritmos africanos como o Afoxé; Maculelê e o Afro
Primitivo.
Ao longo dos seus 18 anos de existência o Abanjá
faz parte da história de várias pessoas que sempre acreditaram
que é possível combater o racismo. E essa mensagem foi
levada pelo grupo a vários municípios do Maranhão
a outros estados como: Pernambuco, Bahia e Santa Catarina, chegando
a atravessar as fronteiras indo até a Guiana Francesa.
São muitos os responsáveis pela existência
do grupo, mas queremos lembrar de forma especial Luiz Bandeira, um baiano
arretado que veio com toda sua energia e axé, orientar o teatro
e a dança no grupo.
A lembrança e homenagem especial a inesquecível
mulher negra Silvia Cantanhede, que com seu carisma, alegria e energia
contagiante foi responsável pelo parto, crescimento e fortalecimento
do grupo. Hoje ao lado de Olorum continua a iluminar e guiar esse grupo,
com toda sua energia.
O Grupo de Dança Abanjá já tem seus primeiros frutos,
que é o Grupo Mirim Abanjá, formado por filhos e filhas
de militantes do C.C.N, resultado das oficinas de dança e formação
iniciado por Carla Algarves, em 2001.
Parabéns a todos (as) que sempre fizeram o Grupo
de Dança Afro Abanjá, que perceberam e acreditaram que
a valorização e preservação da cultura é
o principal instrumento para a construção da identidade
racial de qualquer povo.
Axé povo negro!
"Parabéns pelos seus 18 anos, CCN vem te
homenagear, no ORUN já brilhou a esperança, a liberdade
virá, a luta de Cosme e Zumbi tu contínuas, iça
azeviche abanjá"
Tadeu de Obatalá
"Essa turma é guerreira, não deixa
a cultura morrer, é o meu bumba Crioulo vim mostrar para você,
nosso lema é alegria, a nossa bandeira é liberdade e união,
nossa raça e rebeldia, na luta de cada dia pela conscientização"
Carlão Rastafari
Coordenação do Grupo de Dança
Afro Abanjá/CCN: Antônio Henrique França Costa,
Gilmar Freitas, Gisele Padilha Costa, e Joana Carla Algarves.
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